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Harpia será monitorada por satélites no sul da Bahia - 20.05.08

Harpia será monitorada por satélites no sul da Bahia

Em uma ação inédita, diversas entidades e organizações ambientais vão monitorar por satélite uma harpia, ou gavião-real, como é mais conhecida a maior águia das Américas. A ave foi encontrada no final de abril em Itagimirim, pelos irmãos João e Osvaldo dos Santos, colaboradores da Fazenda Aliança, área de atuação da Veracel. A harpia foi rapidamente encaminhada ao Ibama, que entrou em contato com a Estação Veracel, para que a ave fosse entregue aos cuidados do Projeto Harpia na Mata Atlântica.

A soltura foi feita no dia 15 de maio, depois que os técnicos do projeto concluíram que a águia possuía condições de ser devolvida à natureza. O Parque Nacional do Pau-Brasil (Unidade Conservação) foi escolhido para receber a ave, pois no local está prevista a soltura de outra harpia, também resgatada no sul da Bahia há alguns anos, e que está sendo reabilitada na Estação Veracel.

O procedimento de devolução do animal à natureza durou uma hora. Para implantar os dispositivos de monitoramento, o colaborador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) José Eduardo Mantovani veio à Estação Veracel. Após a soltura, Mantovani permanece observando o comportamento da águia nos primeiros dias pelas matas do parque. A harpia será monitorada nos próximos três anos, gerando informações sobre sua movimentação na floresta atlântica e nos mosaicos formados pelas matas e plantio de eucalipto, bem como a distância de dispersão da espécie na região.

Esse será o quinto indivíduo de vida livre a receber uma anilha do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (Cemave) e o segundo a receber um radiotransmissor equipado com GPS para rastreamento de sua movimentação no Brasil. O trabalho, realizado pelo Projeto Harpia na Mata Atlântica, é um dos objetivos do Projeto Gavião-Real para a conservação da espécie no Brasil, financiado pela Fundação O Boticário e coordenado por Tânia Sanaiotti, do Instituto Nacional de Proteção Animal (Inpa).

Trabalho conjunto

Harpia será monitorada por satélites no sul da Bahia

A ação só foi possível graças ao esforço de quatro instituições públicas: Inpa, Inpe, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que contaram com a estrutura logística da Veracel Celulose, por meio da Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel. A empresa abraçou a causa e está financiando o Projeto Harpia na Mata Atlântica.

Esse é o primeiro animal silvestre da espécie a ser acompanhado pelos satélites brasileiros SCD e CBERS na Mata Atlântica. O monitoramento via satélite do gavião-real é uma das recomendações do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Aves de Rapina do Ministério do Meio Ambiente.

Participantes especialistas que acompanharam a soltura

Tânia Sanaiotti – Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa).
José Eduardo Mantovani – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Raquel Miguel e Áureo Banhos dos Santos – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Ligia Ilg – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Eduardo Pio M. Carvalho, Marcus Canuto, Carlos Eduardo Alencar, Giancarlo Zorzin e Gustavo Diniz – Centro de Pesquisa para Conservação das Aves de Rapina Neotropicais (S.O.S. Falconiformes).
Jorge Sales Lisboa – Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (Abfpar).
João Marcos Rosa – Agência Nitro de Fotografia.
Carlos André Gaspar dos Santos e Lígia Mendes – Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel.

Equipamentos utilizados na marcação e rastreamento

A ave será identificada por meio de cinco dispositivos:
1) Anel metálico com código de identificação único, chamado anilha. O anel é fornecido pelo Cemave e contém a numeração “Z 1006”, gravada em aço inox, para evitar danos pela ave, deterioração com as intempéries e permitir que sua localização seja comunicada ao Ibama por meio do endereço escrito no próprio anel.
2) A ave também recebeu um implante subcutâneo (microchip), com código de identificação especifico, que pode ser lido a distância, para permitir a identificação do animal sem que seja necessário o manejo direto.
3) Para facilitar a identificação do animal após a soltura, também foi colocado em uma de suas patas um anel metálico de grande visibilidade, que facilita a observação e identificação a distância.
4) A ave recebeu um radiotransmissor que permite acompanhar sua movimentação após a soltura durante três anos, por meio da captação dos sinais com o auxilio de antenas VHF.
5) Um segundo radiotransmissor, que possui sistema de localização via satélite e acumula dados do posicionamento do indivíduo, está programado para transmitir dados diariamente ao sistema de satélites brasileiros do Inpe.

Projeto Harpia na Mata Atlântica: Até 2005 a Veracel mantinha em sua RPPN um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cemas). Em meados de 1997, uma harpia ferida foi entregue voluntariamente ao centro. Desde então, o animal é mantido e tratado em cativeiro na Estação Veracel. Em 2004 a coordenação da RPPN contratou Tânia Sanaiotti, coordenadora do Projeto Gavião-Real na Amazônia, para avaliar as condições de retorno do animal à natureza, bem como acompanhar outra harpia selvagem que visitava o recinto do indivíduo cativo.

Em 2005 a Veracel financiou a vinda de escaladores do Projeto Gavião-Real, que encontraram na RPPN Estação Veracel o primeiro ninho de harpia na Bahia e o segundo na Mata Atlântica. Com a descoberta, a empresa decidiu financiar o estudo da harpia na região. Em 2006 foram adquiridos equipamentos de telemetria via satélite para monitorar o deslocamento e uso da área pela águia. Em 2007 foram realizadas reuniões técnicas e foi consolidado o Projeto Harpia na Mata Atlântica, que visa à conservação da espécie no extremo sul da Bahia.

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