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Veracel promove troca de experiências entre comunidades que sobrevivem da extração da piaçava - 18.07.08

Veracel promove troca de experiências entre comunidades que sobrevivem da extração da piaçavaCom o objetivo de incentivar a organização de associações de artesãs e de trabalhadores da extração de piaçava da comunidade de Ponto Central, município de Santa Cruz Cabrália, a Veracel patrocinou, nos dia 7 e 8, a visita de um grupo à Cooperativa dos Produtores e Produtoras Rurais da APA de Pratigi (Cooprap), no município de Nilo Peçanha, situado no extremo sul baiano.

O grupo foi formado por duas artesãs, dois cortadores de piaçava, o coordenador do grupo de artesãs, Cláudio Lírio (da ONG Instituto BioAtlântica), e pelo consultor ambiental da Veracel, Luiz Quaglia. “Achei a visita bastante produtiva. Com cada pessoa que conversamos, foi um aprendizado a mais. Eles já passaram pelo que estamos passando”, avaliou a artesã Silvaneide Porto dos Santos, que, ao lado da amiga Edinalha Santos, representou um grupo de 16 artesãs de Ponto Central.

A Cooprap é uma cooperativa de cortadores e artesãos de piaçava que existe há três anos. Hoje conta com um grupo de 120 cooperados, que possuem renda média de R$ 450,00. “Vimos que o caminho era o associativismo e o cooperativismo. Mudamos a realidade de nossa comunidade”, explicou Janilton Santos Palma, presidente da Cooprap. “Com a organização do grupo, que reúne nove comunidades que realizam a extração sustentável de piaçava na APA de Pratigi, os cooperados, além de passar a ter renda fixa, tiveram também melhora na qualidade de vida”, enfatiza Palma.

Segundo o biólogo Cláudio Lírio, que coordena o grupo de artesãs de Ponto Central, o principal problema enfrentado pelo grupo é a organização da associação e da produção. “Essa troca de experiências que tivemos aqui vai ajudar muito na estruturação do grupo, que já está buscando o registro da associação”, explicou Lírio.

Experiência – “Meu esposo tinha o sonho de me tirar da limpeza da piaçava. Hoje trabalho com artesanato, tenho uma renda melhor que a dele, que é cortador. Já melhorei muito a minha casa”, relatou a artesã Josenilda, da comunidade quilombola de Jatimane, uma das duas visitadas pelo grupo.

Em Jatimane, além de aprender como melhorar a produção de artesanato, o grupo de Ponto Central ouviu do nativo Niltaides um pouco da história da comunidade, que sobrevive da extração de piaçava, e como fazer o corte correto. A artesã Aidil aproveitou para ensinar às artesãs de Ponto Central como fazer a costura das peças de artesanato sem deixar nó. “Vou ensinar às minhas amigas. Aprendi muitas coisas novas aqui”, disse a artesã Edinalha Santos, que também aproveitou a viagem para observar novas peças de artesanato, costuras e desenhos diferentes dos utilizados por seu grupo.

Na comunidade de Boitaraca, também quilombola, os cortadores de piaçava de Ponto Central Arlan Oliveira e Benedito Souza Filho aprenderam um pouco mais sobre a forma correta da retirada da fibra da piaçava, para não matar a planta, sobre preço de mercado para corte e venda e a importância da organização do grupo. “Sempre trabalhei com o corte, mas tive de abandonar, porque não tinha renda fixa. Aqui, se nos organizarmos, poderemos crescer juntos. Temos que nos organizar”, disse Benedito.

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