
Estação Veracel comemora 10 anos - 03.11.08
No dia 5 de novembro, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, em Porto Seguro (BA), completa 10 anos. Para marcar a data, a Veracel preparou uma comemoração de 5 a 8 de novembro, na maior reserva particular de Mata Atlântica do Brasil - a RPPN Estação Veracel. O evento contará com a participação de: ONGs; representantes das unidades de conservação; Polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal e Ambiental; representantes das comunidades do entorno; diretores da Veracel; colaboradores e seus filhos; além de representantes da Stora Enso e Aracruz, empresas acionistas da Veracel.
A RPPN Estação Veracel foi criada em 5 de novembro de 1998. São 6.069 hectares de mata nativa preservados, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. A área foi reconhecida como RPPN pelo Ibama, ou seja, é uma área particular perpetuada com o objetivo de conservar a biodiversidade e promover a educação ambiental.
A comemoração dos 10 anos contará com palestras sobre: Gestão de Unidades de Conservação, com o professor Gumercindo Souza, da Universidade Federal de Viçosa (MG), no dia 5; Ações e Resultados do Trabalho da Embrapa com Agricultura Familiar, com a pesquisadora Arlene Maria Gomes, da Embrapa Cruz das Almas (BA), no dia 6; e Sustentabilidade, com o engenheiro químico José Antônio Costa Perez, doutor em Sustentabilidade e Meio Ambiente, no dia 7. No encerramento, dia 8, será realizada a oficina de artesanato Recriando, com Cyntia Bueno, do Instituto Reciclar.
A programação conta ainda com a exposição fotográfica de Marcos Rosa, que fez o registro de espécies da fauna e da flora existentes na Estação Veracel.
Importância da Estação - Além de ser a maior reserva particular de Mata Atlântica do Brasil, segundo o governo federal, a Estação Veracel foi considerada pelo Conselho de Manejo Florestal FSC (Forest Stewardship Council) uma área de alto valor de conservação, por abrigar expressiva reserva de Mata Atlântica, com proteção a fontes de água e por ser hábitat de diversas espécies de animais endêmicos e vegetais ameaçados de extinção. Todas essas características também garantiram à RPPN Estação Veracel o reconhecimento como Sítio do Patrimônio Mundial Natural, conferido pela Unesco.
Importantes projetos de pesquisa estão sendo desenvolvidos na Estação Veracel, entre os quais o Projeto Harpia na Mata Atlântica, instituído em 2005. Na Estação, são desenvolvidos ainda programas de visitação e de educação ambiental. Apenas este ano, a Estação Veracel recebeu 13.300 visitantes, dos quais 1.447 universitários.
Até o momento, já foram catalogadas na Estação Veracel 445 espécies de animais vertebrados, das quais 37 ameaçadas de extinção e 54 endêmicas da Mata Atlântica do sul da Bahia. Na área, já foram vistos grandes mamíferos, como onça, jaguatirica, veado-mateiro e anta. Além de aves como a harpia (maior ave de rapina das Américas), o macuco, o beija-flor balança-rabo-canela e o papagaio chauá (espécie ameaçada de extinção).
As espécies existentes na área estão sendo catalogadas por meio de um projeto de monitoramento de mamíferos de médio e grande porte, desenvolvido desde 2007 em parceria com a Conservação Internacional (CI Brasil) e Instituto Dríades.
A diversidade arbórea também é grande na Estação, que se destaca entre as 20 áreas de maior diversidade de espécies de árvores do mundo. São 308, incluindo exemplares centenários de pau-brasil, jacarandá, pequi-preto e jatobá.
Projeto Harpia na Mata Atlântica - A harpia (Harpia harpyja) também é conhecida como gavião-real. Com a redução progressiva da Mata Atlântica, devido a desmatamentos, a harpia está em estado crítico de desaparecimento da natureza, principalmente, nessas áreas. Iniciado em 2005, o Projeto Harpia na Mata Atlântica tem o objetivo de avaliar e preparar um gavião-real mantido em um viveiro na Estação, desde 1997, para o retorno à natureza. A harpia foi entregue à equipe da Estação Veracel por fiscais do Ibama que a resgataram, ferida, em área próxima ao Parque Nacional do Pau-Brasil. Na Estação Veracel, a ave recebeu tratamento e é mantida num viveiro, construído em tamanho e condições que atendessem às suas necessidades. Ela deverá voltar à natureza no início do próximo ano.
Em abril, outra harpia, encontrada por fazendeiros da região, foi solta no Parque Nacional do Pau-Brasil, após passar pela avaliação dos pesquisadores do Projeto Harpia na Mata Atlântica. Ela tornou-se a primeira harpia adulta monitorada via satélite no Brasil.
Os pesquisadores do projeto, que na Amazônia recebe o nome de Projeto Gavião-Real, já realizavam o monitoramento de uma harpia jovem na Floresta Amazônica, mas é a primeira vez que monitoram uma ave adulta. A que está sendo monitorada na Amazônia se afasta no máximo 300 metros, enquanto um animal adulto chega a percorrer 80 quilômetros à procura de alimento.
Esse projeto de pesquisa é realizado em parceria com pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), SOS Falconiformes, Ibama e RPPN Estação Veracel. Além dessas instituições, são desenvolvidos projetos em parceria com a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Instituto de Meio Ambiente da Bahia (IMA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).