
Diálogo entre pescadores e Veracel sugere modificações na rota da barcaça - 28.05.09
Representantes das comunidades de pesca de Cumuruxatiba, Corumbau, Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália, Caravelas e da Veracel Celulose estiveram reunidos, no dia 26/05, para discutir sobre alternativas viáveis para a rota da barcaça que transportam celulose do Terminal Marítimo de Belmonte (TMB) até o Portocel, no Espírito Santo. Os pescadores solicitaram à empresa o retorno a rota marítima distante 14 milhas na costa na navegação. Como resultado do encontro, a empresa se comprometeu a estudar os meios necessários para atender a solicitação dos pescadores.
A reunião, realizada no Centro de Convenções, em Porto Seguro, foi proposta pelos próprios pescadores, que afirmaram que estão sendo prejudicados pela atual rota que vem sendo utilizada (8 milhas da costa), defendida pelo Instituto Baleia Jubarte (IBJ), que realiza o monitoramento da rota das baleias, e pela Capitania dos Portos. A gerente de Sustentabilidade da Veracel, Eliane Anjos, abriu o encontro esclarecendo que o objetivo da reunião era definir uma possível rota que atendessem aos diversos interesses existentes no uso do mar, citando a rota das baleias jubarte, o impacto sobre os corais, as tartarugas, as colônias de pesca. Anjos explicou que o transporte de celulose por barcaças representa a retirada de 176 caminhões das rodovias federais e a redução na emissão de 22 mil toneladas de Dióxido de Carbono por cada viagem realizada pela barcaça. Além disso, garante empregos no município de Belmonte. Foi consenso que o transporte marítimo é uma opção socioambientalmente mais adequada.
O representante do IBJ, Eduardo Camargo, apresentou aos pescadores um mapa com o histórico das rotas já utilizadas pela empresa, mostrando as áreas de maior incidência de baleias. "Sugerimos a rota mais próxima da costa, para que fossem evitados atropelamento de baleias e impactos no comportamento e reprodução. Fizemos um estudo das rotas para atender as condicionantes ambientais impostas a Veracel, avaliando os possíveis impactos decorrentes do deslocamento das barcaças", explicou Camargo.
Já o representante dos pescadores da reserva Extrativista Marinha de Corumbau - que se estende dos municípios de Porto Seguro até Prado - compreendendo o cinturão pesqueiro entre a Ponta do Espelho, praia de Coruípe, a Barra do Rio das Ostras e a praia de Cumuruxatiba -, Adenir Azevedo, falou sobre os riscos que a atual rota está representando para os pescadores artesanais da região.
Em sua colocação, o sargento Salazar, representando o comando da Capitânia dos Portos de Porto Seguro, ressaltou que os riscos de acidente no mar, independente da existência do transporte de celulose, é agravado pela falta dos equipamentos de segurança nas embarcações dos pescadores. "Segurança é de suma importância, é preciso ter uma iluminação adequada, rádio de comunicação e material de salvatagem", ressaltou o sargento.
Outro projeto pode surgir desse encontro. Um grupo composto por representantes das comunidades de pescadores da região, de ONGs e da Veracel irão desenvolver uma proposta de monitoramento permanente da rota da barcaça, a ser realizado por eles mesmos, buscando eliminar riscos de acidentes e realizar um diagnóstico da pesca na região.
Além representantes das colônias de pesca, participaram do encontro representantes do Instituto Baleia Jubarte, da ONG Coral Vivo, da PAT-Escomar, da Capitania dos Portos de Porto Seguro, da Companhia de Navegação Norsul, do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), da Reserva Extrativista Marinha de Corumbau, do Subcomitê da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Extremo Sul e do Conselho do Mosaico de Unidades de Conservação do Extremo Sul e do Fórum Florestal do Sul e Extremo Sul da Bahia.
Monitoramento do trajeto das barcaças - Desde 2007, todo trajeto percorrido pelas barcaças que transportam a celulose da Veracel do Terminal Marítimo de Belmonte até o Portocel, no ES, é controlado via satélite (DGPS), com o envio de informes periódicos durante a rota. O transporte é realizado com embarcações da Companhia de Navegação Norsul e com o monitoramento de uma embarcação do Instituto Baleia Jubarte, para evitar a interferência na rota das baleias.