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VERACEL: Diversificação de culturas em propriedades rurais são garantia de sucesso - 06.01.10

Produtores rurais do Extremo Sul da Bahia acreditam na diversificação das culturas e na profissionalização da gestão de seus negócios sem abrir mão da tradição familiar em suas propriedades. Esse é o exemplo dado pelo produtor Olival Covre, do município de Itabela/BA. Além da pecuária de corte, mantém uma produção de 18 mil sacas de café por ano e de 2.600 milhões de muda de eucalipto por mês. Ele investiu na diversificação de sua produção agrícola e, trabalhando em família, descobriu a receita do sucesso. Covre começou a cultivar café, em 1983, com uma área de 45 hectares. Hoje, possui uma área plantada de 380 hectares (300 destes já em produção) onde também faz o beneficiamento. É responsabilidade do filho, Ricardo Covre, a gestão dos 42 ha de plantio de eucalipto contratado dentro do Programa Produtor Florestal (PPF) da Veracel, para produção de celulose.

A família ainda possui o plantio particular de 370 hectares de eucalipto (120 destes no Espírito Santo) destinados à sua fábrica de tratamento de madeira. "O eucalipto é uma boa alternativa de diversificação. A madeira tratada tem mercado garantido", avalia Ricardo, se referindo à grande demanda por madeira de plantios comerciais já que o uso de madeira de florestas nativas está condenado por lei. Formado em Administração de Empresa, Ricardo apóia o pai na preparação do irmão Eduardo Covre, de 19 anos, estudante de Engenharia Florestal, para ajudá-lo a tocar os negócios da família.

Mesma visão teve o agricultor Helder Elias, do município de Belmonte/BA. Filho do agricultor Antonio Elias, de 80 anos, Helder herdou da família uma área cacau-cabruca (sistema de cultivo agroflorestal), e decidiu diversificar os negócios da família com o plantio de 530 hectares de eucalipto, dentro do PPF, mantendo também a pecuária de corte. A consciência ambiental também faz parte da nova geração de produtores rurais. “Preservamos os 300 hectares de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente (APP) da propriedade”, ressalta Helder.

“Já cheguei a colher 4.500 sacas de cacau, hoje só conseguimos 200. Com a vassoura de bruxa nossa produção caiu. Não podemos mais ficar com uma única produção. Meu filho sempre trabalhou comigo e está dando continuidade aos negócios da família com sucesso. Isso aqui é o futuro dos meus netos”, afirmou Antonio.

O agricultor Ivan Silvistrelli Favaratto, do município de Itabela/BA, também conta com o apoio da família da gestão da fazenda Pedra Bonita. Seu Ivan, de 74 anos, já passou a administração da propriedade para o filho Ivan Favaratto Filho. A família, que já chegou a colher duas mil sacas de cacau, e produzir até 45 toneladas de polpa na fábrica da propriedade, hoje colhe 200 sacas do fruto. A fábrica de polpa acabou sendo desativada. “Cacau sempre foi a economia da família. A produção de polpa já chegou a pagar sozinha a mão-de-obra da fazenda”, revelou Ivan Filho, que optou por expandir os negócios da família com uma área de 123,9 hectares de plantio de eucalipto. “E ainda fiz essa pequena fábrica de tratamento de madeira para aproveitar o eucalipto da área de vento, que seria desperdiçado, para utilizar a madeira em consertos de cercas aqui da propriedade mesmo”, conclui Ivan Filho.

Por que diversificar?

Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) mostram que a maior parte das terras de uso econômico do Extremo Sul da Bahia, 71%, é destinada à pecuária, sendo ocupada com pastagem para o gado bovino. Do restante, 17% das terras são utilizadas para plantio de eucalipto; 7% destinam-se à cultura de cacau e 5% a outros fins.

Na década de 90, quando a Veracel começou seus primeiros plantios comerciais na região, a cultura do cacau já tinha se reduzido consideravelmente. Principal gerador de divisas da Bahia até os anos 1970, o cacau chegou a responder por quase 60% de sua arrecadação. Depois disso, sua produção se reduziu drasticamente devido à combinação do alastramento da “vassoura de bruxa” – um fungo vindo da Amazônia – da podridão parda que danificava os frutos, de um longo período de seca e da queda acentuada nos preços internacionais.

As cotações no mercado internacional despencaram por conta da grande oferta do produto em outros países, especialmente os da África. O preço da tonelada, que chegou a ser negociada a US$ 4 mil no final dos anos de 1970, atingiu o fundo do poço na primeira metade da década de 90, cotado a US$ 800, o que abateu os recursos e as esperanças dos cacauicultores. O resultado foi a queda vertiginosa da safra, associada à baixa rentabilidade, que atolou fazendeiros em dívidas e desempregou centenas de milhares de trabalhadores, inchando importantes centros de turismo na região.

Essa lição ficou muito marcada na memória dos produtores locais que se mantém firmes como produtores rurais, mas buscam outras fontes de recurso para garantir a sobrevivência de suas propriedades.

Programa Produtor Florestal

Hoje, a Veracel Celulose possui 136 contratos dentro do Programa Produtor Florestal (PPF), com 106 produtores florestais. Como podemos ver nos exemplos acima, o programa de tornou mais uma alternativa de renda para os agricultores da região.

A primeira colheita e aquisição da madeira de produtores florestais será feita a partir de 2010, desde que o processo produtivo esteja devidamente licenciado pelos órgãos ambientais competentes. No entanto, os recursos que custeiam as atividades de implantação e manutenção dos plantios injetam, mensalmente, cerca de R$ 1 milhão na economia da região. “Para fazer parte do programa, além de possuir a terra, o contrato exige que o produtor obtenha todos os licenciamentos necessários. E a Veracel monitora o cumprimento das exigências legais, ambientais, fiscais e trabalhistas”, afirma o gerente de Negócios e Administração de Terras, Wellington Rezende.

Outro cuidado ambiental cumprido rigorosamente pela empresa é o veto de uso de propriedades que sofreram supressão de Mata Atlântica a partir de 1993, nem localizadas em áreas de assentamento. Um levantamento técnico permite identificar as terras que possuíam cobertura vegetal nessa época e garante legalidade às áreas onde são feitos os plantios comerciais de eucalipto dentro do Programa Produtor Florestal da Veracel.

Por meio do PPF, a Veracel garante a transferência integral de tecnologia, fornece assistência técnica e a garantia de compra do produto. Por contrato, 3% de toda madeira produzida não precisa ser vendida para a empresa. O produtor florestal pode usar ou vender no mercado conforme sua conveniência.

 

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