
Movimentos sociais intensificam destruição em fazendas da Veracel - 26.04.10
Integrantes do Movimento de Luta pela Terra (MLT) e Movimento Sem Terra (MST) iniciaram um incêndio criminoso em plantios de eucalipto na Fazendo Ouro Verde da Veracel Celulose, em Eunápolis/Extremo Sul da Bahia, na tarde de ontem (23/4). A ação é uma retaliação ao iminente cumprimento de reintegração de posse desta fazenda invadida em novembro de 2009.
A Fazenda Ouro Verde, de 511 hectares, foi ocupada por cerca de 100 pessoas e desde então a Veracel busca negociar com os líderes do movimento uma solução de conciliação. Ao mesmo tempo, corriam as medidas legais de reintegração de posse. Os interlocutores dos ocupantes haviam assumido compromisso, em reunião de negociação (26/3), de desocupar pacificamente a área no próximo dia 25/4, antes da intervenção policial oficializada para o dia 26/4. Mesmo assim, atearam fogo no plantio e dificultaram a entrada da brigada de incêndio da empresa para combater as chamas, hostilizando os trabalhadores e ameaçando colocar fogo também no caminhão pipa.
Conforme imagens obtidas em sobrevôo, é possível identificar vários focos de incêndio e ainda não há como calcular as perdas.
Mais destruição
Desde o dia 20/4, outra área da Veracel está sob ação do MST, que pela terceira vez, volta a ocupar a Fazenda Barrinha, nas margens da BR101, também em Eunápolis. Mesmo com ordem de reintegração expedida em função dos dois eventos anteriores em 2009, os manifestantes destruíram cinco hectares de plantio comercial como ação do “Abril Vermelho”.
A alegação dos invasores era de que as terras seriam devolutas e, portanto, passíveis de serem destinadas à reforma agrária. No entanto, a Coordenação de Defesa Agrária (CDA) do Estado da Bahia reconheceu a propriedade legítima da Veracel, encerrando os procedimentos discriminatórios dessas áreas.
Os atos de vandalismo à propriedade particular produtiva, sob pretexto de pressão para que o Governo promova a reforma agrária, já rendeu à empresa, somando as ações de 2009, cerca de R$5 milhões em prejuízos. Valor que já concorre, em ordem de grandeza, com a apuração de impostos estaduais do ano passado (cerca de R$8 milhões) e com os investimentos sociais com recursos próprios nos dez municípios onde a empresa atua (mais de R$10 milhões). A cada hectare destruído, 14 toneladas de celulose deixam de ser produzidas na atividade agroindustrial que sustenta por volta de 3.000 empregos diretos.