Monitoramento realizado pela Veracel Celulose com o Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) registrou a mesma fêmea de tartaruga marina em duas desovas com intervalo de 15 dias, ampliando o conhecimento sobre o comportamento reprodutivo da espécie
Nove anos depois de ser identificada pela primeira vez, uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) voltou a ser registrada em uma praia do Sul da Bahia. O reencontro aconteceu durante o monitoramento de tartarugas marinhas realizado pela Veracel Celulose e executado pelo Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA). A fêmea, marcada com uma anilha em dezembro de 2017, foi observada em processo de desova no dia 29 de setembro deste ano e novamente em 13 de outubro, revelando informações importantes sobre seu crescimento e comportamento reprodutivo.
A identificação foi possível graças à anilha instalada no animal, que permite reconhecer individualmente as tartarugas monitoradas. Ao consultar os registros anteriores, os pesquisadores constataram que a fêmea havia sido marcada na mesma praia e que, desde então, apresentou um aumento de seis centímetros no comprimento curvilíneo da carapaça. O novo encontro, apenas 15 dias depois da primeira observação de 2026, também permitiu registrar o intervalo entre duas desovas consecutivas, conhecido como período internidal.
Esse comportamento é característico das tartarugas marinhas. Segundo o Projeto Tamar, estudos realizados com tartarugas-cabeçudas na Bahia identificaram uma média de quatro ninhos por fêmea durante a temporada reprodutiva, com intervalos de aproximadamente 15 dias entre as desovas. As pesquisas também mostram que esses animais podem retornar às mesmas áreas de reprodução após dois ou três anos. No caso da fêmea acompanhada pelo IMA, os registros confirmam sua presença na mesma praia em 2017 e 2026, mas não permitem determinar se ela também retornou em temporadas intermediárias.
Monitoramento ajuda a compreender a vida das tartarugas marinhas
Classificada como vulnerável à extinção no Brasil, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a tartaruga-cabeçuda está entre as espécies que utilizam o litoral brasileiro para reprodução. O órgão aponta que as principais áreas de desova estão no norte da Bahia, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, com registros regulares também no Sul da Bahia.
A identificação de uma mesma fêmea ao longo dos anos é especialmente importante porque permite acompanhar aspectos que não seriam conhecidos em observações isoladas. Informações sobre crescimento, frequência de retorno às praias e intervalos reprodutivos ajudam os pesquisadores a compreender a dinâmica das populações e a planejar estratégias de conservação.
O registro integra o Programa de Monitoramento de Quelônios da Veracel, desenvolvido há duas décadas no entorno do Terminal Marítimo de Belmonte. O trabalho acompanha aproximadamente 35 quilômetros de praias entre Belmonte e Guaiú, com atividades voltadas ao monitoramento das desovas e à proteção dos ninhos. Somente entre janeiro e fevereiro de 2026, o programa registrou a chegada de 9.411 filhotes de tartarugas marinhas ao oceano, considerando as espécies cabeçuda, de pente e oliva.
A continuidade desse acompanhamento permite reunir informações sobre animais que podem passar anos sem serem identificados novamente pelas equipes. No caso da tartaruga registrada em setembro e outubro, a anilha transformou dois encontros recentes em uma história de monitoramento iniciada em 2017, reforçando a importância dos registros individuais para o conhecimento e a conservação das espécies marinhas.
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