Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama em Porto Seguro recebe visitante ilustre

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Recém-chegada, uma nova Harpia deverá integrar a lista de animais monitorados pelo Programa Nacional de Conservação do Gavião Real na região sul da Bahia.

Foto 4O Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS do IBAMA em Porto Seguro recebeu nesta terça-feira, dia 19 de junho, mais um ilustre visitante: um exemplar jovem de Harpia, também conhecido pelo nome de gavião-real ou gavião-de-penacho.

A ave, pesando cerca de 7 quilos e ainda apresentando uma plumagem juvenil, foi resgatada pela Companhia Independente de Proteção do Patrimônio Ambiental (CIPPA) no interior da fazenda Sertaneja, no distrito de Veracruz, em Porto Seguro (BA), e encaminhada ao IBAMA para avaliação de sua condição física, estado de saúde e condição de soltura.

Examinada pelo Médico Veterinário Mário Martins D´Ávila, especialista no tratamento de animais silvestres, a ave foi preliminarmente considerada em boas condições físicas, apresentando, contudo, um quadro de hipoglicemia moderado, condição associada  a baixos níveis de açúcares no sangue, o que pode ter reduzido a energia disponível para o vôo, impedindo sua locomoção.

Para tratar o quadro de Hipoglicemia e evitar que o manejo e a proximidade de estranhos a deixasse inquieta, prejudicando sua recuperação, a harpia foi posta em uma área isolada do CETAS, onde permanece sendo cuidada pelos técnicos do IBAMA.

Na natureza, as Harpias se alimentam principalmente de animais que caçam nas árvores, como preguiças, macacos, quatis, tamanduás-mirins, saruês, serpentes e iguanas. No Centro de Triagem do IBAMA, a ave foi alimentada inicialmente com carne bovina enriquecida com suplemento vitamínico e, também, cobaias abatidas, que são oferecidas diretamente no bico do animal com o auxílio de um braço mecânico especial.

As harpias despertam muita atenção popular porque estão entre as maiores aves de rapina de todo o mundo, possuindo um grande bico recurvo e garras afiadas maiores que as de um urso, ferramentas que utilizam para dominar as suas presas.

Após sua recuperação nas instalações do CETAS do IBAMA, a Harpia será transferida para a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, onde a Veracel Celulose S.A. mantém um dos maiores viveiros de reabilitação de animais silvestres do Brasil, um ambiente amplo, que permitirá que a Harpia não apenas voe em seu interior, mas, também, execute manobras de perseguição, contribuindo para o desenvolvimento de sua musculatura e ampliando suas chances de sobrevivência na natureza.

Uma vez instalada neste viveiro, a evolução da ave será novamente avaliada e, sendo considerada apta para a soltura, deverá receber um rádio-transmissor e passará a integrar o plantel de Harpias hoje monitoradas pelo Projeto Harpia na Mata Atlântica.

Este projeto, desenvolvido na região sul da Bahia com o patrocínio da Veracel, é coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e desenvolvido de forma integrada pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), IBAMA, ICMBIO, Centro de Pesquisa para Conservação das Aves de Rapina Neotropicais – SOS Falconiformes, Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina- ABFPAR e da Sociedade de Pesquisa do Manejo e da Reprodução da Fauna Silvestre (CRAX).

Os técnicos destas instituições utilizam sistemas de localização via satélite e via rádio para acompanhar Harpias na natureza 24 horas por dia e assim compreender melhor a ecologia e a importância destes predadores de topo de cadeia alimentar para o equilíbrio ambiental das áreas onde eles ocorrem.

A idéia é reproduzir com este novo animal o sucesso já alcançado com a Harpia Katumbayá, ou mãe-da-mata, como foi batizada a ave solta pelo projeto em 2008 e cujo acompanhamento diário via satélite levou a localização de seu ninho em 2010, na área de entorno do Parque Nacional do Pau Brasil/ICMBIO, fornecendo valiosas informações sobre a ecologia e padrões reprodutivos e de deslocamento desta espécie.

Segundo Ligia Mendes, gestora a da RPPN Estação Veracel, as Harpias, por serem indicadores da qualidade do ambiente em que vivem, vem sendo acompanhadas de perto pela empresa desde 2005, quando pesquisadores localizaram o primeiro ninho de harpia na Bahia no interior da RPPN Estação Veracel, estabelecendo um marco no estudo da reprodução da espécie em nosso estado.

Desde então, a Veracel desenvolve atividades educativas e sócio-ambientais voltadas para a proteção da espécie na região sul da Bahia, contribuindo com a pesquisa e preservação destes animais e dos ecossistemas onde vivem.

Segundo Lucas Mota, biólogo do CETAS do IBAMA em Porto Seguro, a conservação e o estudo destes animais é de suma importância pois eles são predadores de topo de cadeia alimentar e, por isso, responsáveis pela manutenção do equilíbrio ecológico das áreas onde habitam.

Mota acrescenta que o desconhecimento da população quanto à importância de predadores como as Harpias ainda é o principal entrave para sua conservação. “As Harpias são como termômetros da saúde da floresta. Ver uma harpia na mata, caçando por si mesma, é um indício de a população de suas presas é variada e está presente em quantidade suficiente para manter um predador tão grande quanto ela. E isso é um indício do bom estado de conservação da floresta, o que beneficia tanto os animais quanto os seres humanos.”

Assim, se você viu um desses animais ferido, sabe quem os mantém em cativeiro ou tem informação sobre a sua presença na natureza, entre em contato com IBAMA através do telefone (73) 3281-1526/3281-1652 e apóie o Projeto Harpia na Mata Atlântica.

A ajuda que você presta agora servirá para que, no futuro, nossos filhos ainda possam conhecer e apreciar a beleza desses animais majestosos, assim como a beleza da Mata Atlântica onde eles vivem.

 

Colaboraram com informações: CETAS Porto Seguro – IBAMA e RPPN Estação VERACEL

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